Recomendações de uso de métodos de imagem para pacientes suspeitos de infecção pelo COVID-19
Versão 2 - 01/04/2020
A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) do tórax não deve ser usada, isoladamente, para diagnóstico de COVID19, nem tampouco deve ser realizada para rastreamento da doença.
Para se definir um diagnóstico de COVID19 é preciso estar pautado nas informações clínico-epidemiológicas + exames RT-PCR e/ou sorologia. O exame de TCAR pode ser auxiliar nesta definição diagnóstica, porém precisa ser cuidadosamente correlacionado com os dados clínicos e laboratoriais.
Para os indivíduos assintomáticos não se deve orientar a realização de qualquer exame de imagem.
Para os pacientes sintomáticos leves / moderados com PCR/Anti-IgM positivo não se recomenda qualquer exame de imagem.
Para os pacientes sintomáticos leves / moderados, que não tenham acesso a testes laboratoriais, ou com PCR/Anti-IgM negativo, o papel da tomografia computadorizada ainda não está bem definido, porém poderá ser realizado conforme orientação clínica.
Nos pacientes hospitalizados, sintomáticos, com quadro grave, a tomografia computadorizada é reservada para situações clínicas específicas, como suspeita de complicações como tromboembolia pulmonar, sobreposição de infecção bacteriana.
Quando indicada, o protocolo é uma TC de alta resolução (TCAR), preferencialmente com protocolo de baixa dose. O uso de meio de contraste endovenoso não está indicado, devendo ser reservado para situações específicas, após avaliação do médico radiologista.
Com os dados disponíveis até o momento, os achados de exames sistemáticos de TC para pacientes com suspeita de infecção por Covid-19, ou nos casos confirmados, não parecem influenciar desfechos. E até o momento, não há estudos que sustentem os achados tomográficos como preditores de evolução clínica.
Ambos, PCR e tomografia computadorizada, não têm valor preditivo negativo suficientemente elevado para retirar pacientes suspeitos de isolamento.
Para maior clareza na transmissão dos resultados, sugere-se que os relatórios de exames de imagem, em pacientes com suspeita de infecção pelo SARS-Cov-2, apresentem, na sua conclusão, uma das seguintes alternativas:
a. achados sugestivos de processo infeccioso de etiologia viral;
b. achados indeterminados para processo infeccioso de etiologia viral;
c. achados não habituais em processo infeccioso de etiologia viral.
Nos pacientes já diagnosticados, a indicação dos exames de imagem sempre, no seguimento, será determinada pelo quadro clínico, com as seguintes opções:
- Rx: pode ser indicado em pacientes acamados ou sem condições de realização da TC, principalmente quando houver piora clínica / suspeita de complicações.
- US: pode ser indicado em pacientes acamados ou sem condições de realização da TC, principalmente quando houver piora clínica / suspeita de complicações.
- TC: pode ser realizada em pacientes com piora dos sintomas e/ou desenvolvimento de complicações.
Por fim, lembramos que os achados tomográficos persistem por dias, até meses, após a melhora clínica, não devendo ser óbice a alta de pacientes clinicamente recuperados.
Lembrando que esta é uma situação dinâmica e estas recomendações podem mudar a qualquer momento.
Elaboração:
Departamento Científico CBR
Departamento de Radiologia Torácica:
- Dr. Arthur Soares Souza Jr.
- Dr. Cesar Augusto Araújo Netto
- Dr. Dante Escuissato
- Dr. Edson Marchiori Colaboração:
- Dr. Dany Jasinowodolinski
- Dr. Gilberto Szarf
- Dr. Gustavo Portes Meirelles
- Dr. Hilton Muniz Leão
- Dr. Pedro Paulo T. S. Torres
FONTE:
https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2020/04/Recomenda%C3%A7%C3%B5es-de-uso-de-m%C3%A9todos-de-imagem_01-04-20.pdf
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