Indicações dos exames de imagem na COVID-19
O uso dos exames radiográficos convencionais e de tomografia computadorizada do tórax em pacientes portadores ou com suspeita da infecção está bem normatizado por organismos internacionais (OMS, ACR).
Protocolo dos exames de imagem na COVID-19
- Quando indicada, o protocolo é de uma TC de alta resolução (TCAR), se possível com protocolo de baixa dose.
- O uso de meio de contraste endovenoso, em geral, não está indicado, sendo reservado para situações específicas, a serem determinadas pelo radiologista.
Indicações dos exames de imagem na COVID-19
▪ Podem ser realizados segundo os seguintes parâmetros:
a) Pacientes com quadro clínico e laboratorial de suspeição da doença, principalmente naqueles com quadro clínico mais grave.
b) A TC do tórax NÃO deve ser realizada para rastreamento da doença, mas nos pacientes hospitalizados sintomáticos com radiografias normais ou com achados indeterminados.
c) Os exames de imagem estão indicados na avaliação de complicações e pesquisa de diagnóstico alternativo
Achados dos exames de imagem na COVID-19
Os achados de imagem mais comuns são descritos a seguir.
Achados Radiográficos:
- geralmente ausente nas fases iniciais, quando a TC já evidencia achados típicos
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| Radiografia de paciente atendido com sintomas respiratórios (PCR positivo para SARS-CoV2) sem alterações pulmonares e TC do mesmo dia com alguns focos de opacidades em vidro fosco. |
Achados Radiográficos:
- na evolução, podem surgir opacidades de espaço aéreo, usualmente incaracterísticas em relação a outras pneumonias virais
▪ Achados de TC:
FASE INICIAL (0-2 dias do início dos sintomas)
- podem ser normais (em torno de 50%) - opacidades focais com atenuação em vidro fosco ou consolidações (cerca de 17%);
- opacidades multifocais bilaterais (cerca de 28%).
- As lesões pulmonares têm distribuição periférica em aproximadamente 22% dos casos.
▪ FASE INTERMEDIÁRIA (3-5 dias)
- TCs sequenciais têm demonstrado progressão das lesões pulmonares.
- A TC pode ser normal em menos de 10% dos casos.
- Consolidação em cerca de 55%
- Acometimento é bilateral, em sua maioria (cerca de 76%), com distribuição periférica (64%)
- Opacidades reticulares em aproximadamente 9% dos casos.
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| Imagens de TC de alta resolução mostram opacidades pulmonares periféricas com atenuação em vidro fosco (asteriscos). |
▪ FASE TARDIA (6-12 dias)
- A TC pode ser normal em menos de 5% dos casos.
- Consolidação em 60% dos casos;
- Envolvimento é bilateral em cerca de 88%, com distribuição periférica (72%)
- Opacidades reticulares em torno de 20%.
- Ocorre diferentes graus de resolução das alterações pulmonares, mas pode não ocorrer resolução completa até por volta do 26º dia.
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| Imagens de TC de alta resolução mostram além das opacidades pulmonares periféricas, discreto componente reticular associado a lesão de lobo inferior direito (seta em d) |
RESUMO DOS ACHADOS:
1. Padrão diversificado de doença pulmonar na TC, mas com características principais
- Bilateral, periférico e basal
- Morfologia arredondada
- Ausência de linfonodomegalia, derrame pleural, escavação e nódulos.
2. Evolução dos achados com base na duração da infecção
- Cerca de 50% dos pacientes podem ter TC normal logo após o início dos sintomas (0-2 dias)
- Pode ocorrer organização e fibrose no cenário de doença pulmonar grave
Considerar outros diagnósticos, quando:
- Derrame pleural
- Linfonodomegalia
- Lesões pulmonares escavadas
- Padrão de pneumonia lobar
- Padrão nodular centrolobular / em “árvore em brotamento”.
* lembrar que já estamos entrando no período de maior ocorrência de infecção por H1N1.
Diagnóstico diferencial
Pneumonia atípica por micoplasma
Imagens de TC de alta resolução em pneumonia comunitária por agente atípico também mostram opacidades pulmonares multifocais com atenuação em vidro fosco (asterisco), predominantemente peribroncovaculares nos lobos superiores e inferior direito, similares as vistas com SARS-CoV-2.
Diagnóstico diferencial
Pneumonia atípica por micoplasma
Há extensa lesão do lobo inferior esquerdo com padrão de pavimentação em mosaico (em D), com alguns focos de consolidação. Há pequeno derrame pleural esquerdo (seta em C).
FONTE:
https://cbr.org.br/covid-19/
Referências
1. Bernheim et al. Chest CT Findings in Coronavirus Disease-19 (COVID-19): Relationship to duration of Infection. Radiology Fev 2020. DOI: radiol.2020200463
2. Kanne JP. COVID-19 : Update for the Radiologist. STR, Indian Wells, 2020.
3. CT Imaging Features of 2019 Novel Coronavirus (2019-nCoV). Radiology Fev 2020. https://doi.org/10.1148/radiol.2020200230.
4. Performance of radiologists in differentiating COVID-19 from viral pneumonia on chest CT. Radiology Fev 2020, https://doi.org/10.1148/radiol.202020082







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